Estratégias de Custos

Gerenciamento de alarmes: qual o custo de um alarme falso?

Com a chegada da Indústria 4.0, o gerenciamento de alarmes ganhou um salto de eficiência. Entretanto, nem todas as plantas brasileiras contam com a tecnologia necessária para otimizar essas operações e muitos ainda realizam esse acompanhamento manualmente. Dessa forma, nem todos os parâmetros podem ser monitorados de perto e a chance de alarmes falsos é grande, o que prejudica seriamente a produtividade de qualquer setor.

Antes mesmo da introdução desse conceito na indústria, que ocorreu em meados de 2011, a tecnologia já auxiliava as indústrias na identificação de problemas. Com aparelhos mais fáceis de instalar e configurar, diversos pontos da planta receberam esses equipamentos. Entretanto, sem o gerenciamento correto, definição de parâmetros e atributos mínimos, o número de alertas disparados, ao mesmo tempo, impossibilitava a conferência individual. Assim, muitos alarmes falsos recebiam atenção enquanto os que realmente indicavam problemas eram negligenciados.

Para entender melhor o custo de uma alerta falso na indústria é preciso entender, antes, o que, de fato, é o gerenciamento de alarmes. Continue a leitura e confira.

Gerenciamento de alarmes: por que é tão importante para a indústria?

O cenário exposto acima fez com que muitas indústrias começassem a perceber que não bastava instalar os alarmes, mas era necessário também gerenciá-los. Nesta atividade, estão englobadas as tarefas que antecedem a instalação, como a definição das regras para os projetos e, inclusive, as métricas e estratégias para o monitoramento.

O processo de gerenciamento de alarmes já é regulamentado por uma série de normas técnicas. No âmbito internacional, podem ser citadas a ANSI/ISA 18.2-2016 e a EEMUA-191, enquanto, nacionalmente, a Petrobras é a responsável pela criação da diretriz N-2900-A. Todas as citadas podem servir de base para projetos em quaisquer segmentos industriais.

Um dos principais objetivos do gerenciamento desses sistemas é evitar a chamada “avalanche de alarmes”, que acontece quando um evento ocorre e vários alertas são disparados ao mesmo tempo. Assim, o operador recebe uma série de indicativos de irregularidades ao mesmo tempo, sendo difícil ― e, muitas vezes, impossível ― definir qual a causa raiz da falha.

Outro problema comum para os operadores é a indicação de alarmes recorrentes. Luzes ou sons que aparecem todos os dias e, por esse motivo, acabam sendo ignorados. Aqui, é interessante ressaltar que a “avalanche de alarmes” é um problema decorrente da tecnologia. Há alguns anos, esses sistemas eram caros e exigiam muito estudo antes da sua implantação. Com a popularização, diversos equipamentos de qualidade duvidosa e com promessas de agilidade ganharam espaço, trazendo complexidade para quem os gerencia.

Qual o custo de um alarme falso para a indústria?

Detectar vazamentos é vital para a indústria. Imagine o escape de um líquido corrosivo que não foi indicado pelos sensores de controle. O que pode parecer um pequeno furo, na verdade, é capaz de causar danos seríssimos, tanto materiais quanto humanos. Entretanto, o cenário inverso também é prejudicial: um vazamento é, todos os dias, notificado ao operador. Ao conferir a indicação, nada é detectado. No dia seguinte, o mesmo alarme soa. É bem possível que esse indicativo passe a ser ignorado conforme a inspeção siga mostrando que nenhuma avaria foi encontrada. 

Mesmo que nenhum defeito seja detectado, o alarme insistente mostra algo muito claro: ou o equipamento é de má qualidade, ou não está calibrado da maneira correta. Assim, da mesma forma que pode disparar sem nenhum motivo aparente, é bem possível que esteja deixando passar situações onde seria necessário acionar o operador.

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Além dos riscos de danos materiais, a falta de um bom gerenciamento de alarmes acarreta outros custos, mais indiretos, à indústria.

Interrupção da produtividade

A cada verificação, as máquinas precisam ser desligadas. Essa interrupção, claro, não estava programa e, consequentemente, impacta na produção que havia sido prevista. Mesmo que isso não seja recorrente, qualquer alteração no ritmo produtivo pode se tornar um gargalo, o que faz com que a planta não renda o que deveria.

Má utilização da mão-de-obra

Para que seja feita a verificação, pelo menos um dos colaboradores precisa ser deslocado para averiguar o alarme. Ao mesmo tempo, em máquinas que necessitam de operação humana, quem a comanda também é deslocado, o que leva à ociosidade.

Insegurança nas operações

Como citado anteriormente, a ocorrência de alarmes falsos pode ser o responsável por graves acidentes, já que os sensores, claramente, não estão calibrados da maneira correta. A falta de segurança é um problema também na hora das inspeções, uma vez que os técnicos, muitas vezes, precisam verificar os problemas em locais de difícil acesso e, dependendo do setor, próximo a materiais prejudiciais à saúde.

Como a Indústria 4.0 auxilia no gerenciamento de alarmes?

Os dados são a base da Indústria 4.0. Com novas tecnologias, é possível obter informações que, antes, seriam impossíveis de coletar. A IoT (Internet of Things) tem se mostrado uma grande aliada dos gestores no monitoramento dos alarmes. Com ela, os sensores se comunicam sem a intervenção humana e monitoram aspectos importantes, como a vibração em equipamentos rotativos. Todos os ativos podem ser monitorados e, assim, gerar dados que servirão de base para a tomada de decisão.

Entretanto, para evitar que a utilização da tecnologia não se transforme em mais um entrave produtivo (como o ocasionado pela “avalanche de alarmes”, que falamos há pouco) é preciso que os gestores definam quais os equipamentos mais importantes, baseando-se no nível de criticidade.

A inserção da tecnologia também deve ter o amparo dos profissionais que com ela interagem. Investir no treinamento dos operadores, por exemplo, faz com que os aparatos sejam melhor aproveitados e as providências sejam tomadas com mais eficiência.

É difícil determinar, em termos financeiros, quais os custos que os alarmes falsos acarretam para a indústria, isso porque cada segmento tem suas especificidades. Por outro lado, mesmo que não seja mensurável, o custo que eles têm para a competitividade dos negócios é bastante evidente.Para saber mais a respeito das novidades da indústria brasileira, continue acompanhando o Portal Inovação Industrial.

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