Lubrificação

Superfícies oxidadas: como fazer a manutenção correta?

Certamente, você já precisou de alguma ferramenta de trabalho que estava guardada há um tempo e, quando precisou, a encontrou toda enferrujada. Ou então, percebeu que as superfícies dos equipamentos que mais têm contato com solo e cultura estavam completamente corroídas. De fato, a oxidação é um fenômeno químico que ocorre a todo momento, em qualquer peça metálica desprotegida. E, quando não tratado, esse problema tão comum pode evoluir e causar grandes danos, seja no maquinário, seja no orçamento do negócio.

O assunto é tão importante para a indústria que há até mesmo uma organização que se propõe a debatê-lo e conscientizar empresários de todos os setores a respeito do tema, a World Corrosion Organization (WCO). Segundo a entidade, a corrosão custa, anualmente, US$ 2,2 trilhões ― número 3% superior ao PIB mundial. Outro dado alarmante vem sobre a produção de aço: estima-se que 30% de toda a fabricação mundial seja destinada apenas à reposição de metais corroídos. 

No agronegócio, a oxidação ocorre em diferentes frentes, podendo aparecer no sistema de ar-condicionado de máquinas guardadas, ferramentas, superfícies do maquinário e, até mesmo, nos tubos metálicos utilizados na irrigação. Este, por sinal, é um problema sério, pois a presença de ferro na água favorece a proliferação de bactérias.

Neste artigo, você saberá como realizar a manutenção de superfícies oxidadas e os principais métodos utilizados para prevenir o surgimento de novos pontos de oxidação. Acompanhe.

Avalie o estado da superfície atingida antes da manutenção

Dependendo do estado do metal atingido, é possível recuperá-lo e devolver sua função. Entretanto, em casos onde a ferrugem já tomou conta da superfície, a espessura do material diminui, o que compromete sua utilização. Mas, antes de mostrar como fazer a manutenção correta das áreas afetadas, é bom esclarecer um ponto: a diferença entre oxidação, corrosão e ferrugem.

Na verdade, os termos se referem à evolução do problema causado por conta da exposição do metal rico em ferro com a umidade do ar ou água. A oxidação é o primeiro grau de degradação, onde ocorre a perda dos elétrons do material no contato com os fatores desencadeadores.

A corrosão, por sua, vez, é o resultado da oxidação. Quanto mais elétrons a superfície perde, mais comprometida ela fica. A ferrugem é a consequência dos pontos corroídos não tratados. Ao chegar nesse estado, é muito provável que a resistência do material já tenha sido muito afetada, fazendo com que a substituição da peça seja a melhor solução.

Oxidação: saiba como realizar a manutenção dos pontos afetados

Como você pôde perceber, a oxidação é só o primeiro sinal de que a superfície está começando a degradar. Ou seja: é possível, por meio da manutenção, brecar a evolução do quadro, evitando o comprometimento das superfícies.

Para isso, diversas técnicas podem ser adotadas. Mas tudo depende da área afetada e do grau de deterioração do material. Logo mais você lerá sobre os métodos que podem ser utilizados. Entretanto, independente de qual seja o necessário para o seu caso, todos eles começam com uma boa limpeza do local oxidado. 

Como realizar a limpeza de superfícies oxidadas

Para que a área seja considerada limpa, é preciso que esteja livre de quaisquer resquícios de ferrugem, poeira, tinta, óleos, graxas ou outros detritos que impeçam a penetração da proteção que será aplicada no metal. A primeira parte, onde é feita a retirada da camada mais superficial dos detritos, pode ser feita manualmente, com o auxílio de lixas, espátulas e escovas de aço.

Após esse primeiro cuidado, é recomendado também o jateamento (uso de partículas abrasivas em alta velocidade) ou hidrojateamento (onde é utilizada água sob forte pressão) da peça afetada pela oxidação. Aqui, vale ressaltar que a segunda opção só é válida se a superfície atingida já tiver passado pelo método abrasivo. 

Ao retirar todos os detritos que possam bloquear a entrada do anticorrosivo no metal, a superfície está pronta para a aplicação do método escolhido.

Os processos mais comuns na manutenção de superfícies oxidadas

O método escolhido, como já citado, deve considerar o local de aplicação do revestimento escolhido e o grau de degradação da superfície. A partir dessa análise, a equipe de manutenção deve determinar o procedimento mais adequado. Entre eles, podemos destacar os mais utilizados, veja abaixo.

Aplicação de inibidores

Seguida da limpeza, pode-se optar pela aplicação de soluções próprias para inibição da corrosão. O composto se fixa à superfície do aço e cria uma espécie de película protetora. Assim, a interação dos elementos pode formar uma barreira física. O meio corrosivo é modificado por conta da formação de elementos que atuam como uma barreira física.

É importante ressaltar que os inibidores são capazes de retardar a oxidação, mas nunca de impedi-la por tempo indeterminado. Dessa forma, a manutenção deve estar sempre atenta quanto ao estado das superfícies para nova limpeza e aplicação.

Modificação do metal

Alguns fabricantes de máquinas agrícolas já vêm se adiantando e mudando os materiais utilizados para compor os equipamentos. O uso do inox, por exemplo, vem sendo difundido para evitar a corrosão dos componentes externos.

Entretanto, a manutenção de áreas oxidadas também pode fazer a modificação do metal de forma a torná-lo mais puro ou por meio de adição de elementos na liga.

Uso de revestimentos

A galvanização, ou seja, a aplicação de zinco metálico em peças de aço ou ferro, é uma das formas mais utilizadas de proteger contra a oxidação. Na superfície de máquinas, o método a frio pode ser o mais indicado. Com sprays ou pincéis, é aplicada uma camada de tinta rica em zinco, que reage com o ferro e aumenta a proteção contra a corrosão. Esse processo também protege a própria pintura contra ações do tempo, como chuvas.

Já a galvanização a quente é mais utilizada no revestimento de peças. Nela, o produto que será revestido é imerso em uma solução de zinco fundido entre 445 e 460ºC. Assim, é criada uma camada protetora sobre a peça, mas que pode se desgastar com o uso.

No agronegócio, a corrosão é um problema corriqueiro. Afinal, um simples arranhão na lataria de uma máquina já é suficiente para retirar a proteção do metal e dar início ao processo de oxidação. Por este motivo, a manutenção dos ativos também deve sempre considerar as condições externas do equipamento, procurando por locais onde seja possível frear a evolução e, rapidamente, dar início ao processo de reparação da área.

A importância do aditivo anticorrosão nos lubrificantes do maquinário

Embora mais associada às condições de estruturas externas por conta da fácil detecção, a corrosão também pode ocorrer internamente. No agronegócio, é importante que os lubrificantes utilizados na manutenção dos equipamentos sejam aditivados com propriedades anticorrosivas

Também chamadas de antiferrugem, essa propriedade protege o equipamento da ação da água. Mesmo que o lubrificante esteja contaminado por umidade, assegura estabilidade mecânica e química, aumentando a vida útil do ativo. Em um dos cases de sucesso da PETRONAS, esse foi um aditivo crucial para fazer com que uma das maiores indústrias agrícolas do Brasil conseguisse economizar 66% na compra de lubrificantes.

Agora que você já sabe como realizar a correta manutenção de superfícies atingidas pela oxidação, entre em contato conosco e saiba como a PETRONAS pode ajudar o seu negócio a diminuir os custos causados pela corrosão.

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3 Comentários

  1. Boa tarde. Muito bom conteúdo. Perfeita a colocação. Acrescentaria apenas a questão quanto a limpeza da superfície oxidada. A limpeza mecânica é fundamental, mas para evitar danos maiores, uma limpeza química associada a uma limpeza mecânica, abranda muito quando se pensa que pode haver uma alteração nas condições morfológicas da superfície. Neste caso, refiro-me a uma limpeza com produtos sem pH biodegradáveis ou, caso tenha pH mais ácido, que seja feita uma passivação. O uso do químico com o mecânico, atenua ambos os procedimentos.

    1. Olá Denise,

      Obrigado pela dica!

  2. Ferramentas & peças de pouco uso guardadas sem cuidados sempre geram perdas de tempo e produção . Para mim que trabalhei cerca de 40 anos envolvido com atividade de Manutencão/Montagem/Inspeção acontece muitos casos relatados neste artigo.

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