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Afinal, como funciona o processo de rerrefino do óleo lubrificante?

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É muito comum ouvir falar sobre a reciclagem de óleo lubrificante. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) usa um termo específico para isso: rerrefino. O termo é apropriado, pois o processo inicial de geração de óleo lubrificante é feito em refinarias de petróleo. Um óleo já usado ou contaminado precisaria, então, ser refinado novamente.

A grande ênfase dada a esse processo é principalmente pela causa ambiental. E não é para menos. Apenas 1 litro de óleo lubrificante pode se contaminar e até acabar com todo o oxigênio de 1 milhão de litros de água. Surpreendente, não concorda? Sem dúvida, o processo do rerrefino deve ser mais conhecido por todos os envolvidos no comércio de óleos lubrificantes.

Se você tem dúvidas sobre as novas tecnologias nesse sentido e precisa de maior conhecimento técnico, acompanhe a nossa explicação detalhada do processo de rerrefino. Esse post foi baseado em uma entrevista exclusiva com o Marcelo da Costa Loures, executivo de lubrificantes industriais da PETRONAS. Confira!

Por que o rerrefino é importante? 

O rerrefino é apenas uma parte da logística reversa. Ela é o processo de coleta de produtos já usados (aparentemente inúteis) para que tenham uma destinação adequada. Isso pode significar tanto o reaproveitamento como o descarte por métodos eficientes. O rerrefino traz vantagens econômicas para a empresa que o faz e benefícios grandiosos para o meio ambiente. Veja o motivo abaixo.

Economia de matéria-prima

Primeiro, é preciso entender um pouco sobre a composição geral de um lubrificante: óleo básico e aditivos. O óleo é um dos vários derivados do petróleo, assim como a gasolina e o diesel, e é obtido nas refinarias. Ou seja, quanto maior a demanda por lubrificantes, maior deve ser a extração de petróleo e, consequentemente, o custo final da matéria-prima será mais elevado.

Onde aparece, então, o rerrefino? Ele é a segunda forma de se obter óleo mineral básico. Para uma visão melhor da dimensão da economia resultante, saiba que 1000 litros de óleo lubrificante já usado pode resultar em 700 à 800 litros de óleo que podem retornar para o processo de produção de lubrificantes e outros produtos, como veremos adiante.

Meio ambiente

Mais importante do que a economia da matéria-prima é o aspecto ambiental. É importante lembrar o que vimos na introdução sobre o enorme potencial de poluição de um óleo. Quando em contato com a água, ele pode criar uma fina camada sobre a superfície que não deixa o ar e a luz passar. Isso prejudica a respiração e a fotossíntese da vida aquática. 

Somado ao dano às águas, ainda há prejuízo relacionado com a queima de óleo usado. Essa queima resulta em gases cancerígenos e tóxicos. Quando descartado no solo, os lençóis freáticos podem ser contaminados de forma irreversível. Assim, o rerrefino evita todos esses danos.

Quais são as etapas do rerrefino?

Há quem diga que o processo é muito custoso. Porém, uma análise do que está envolvido revela que não é tão complexo assim. O primeiro passo para um indústria começar o rerrefino é a elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos que irá informar sobre o ciclo de vida dos produtos e como deve ser o tratamento dispensado a eles. Veja as etapas envolvidas.

Coleta e transporte

Cada indústria deve recolher ou custear o recolhimento do óleo descartado. Os pontos de coleta podem ser concessionárias de veículos, oficinas mecânicas, indústrias e postos de gasolina. Após isso, o material é transportado em caminhões específicos e por motoristas treinados, visto que se trata de um resíduo nocivo.

A seguir são feitos testes de laboratório para identificar os contaminantes e para classificar o óleo que passará por processos de purificação. Com isso, é assegurado um alto padrão de qualidade e boas taxas de rendimento.

Processos químicos

A Revista Meio Ambiente Industrial, Ano VI, ed. 31, nº 30 descreve os processos químicos envolvidos:

  1. Desidratação: o óleo é descarregado em caixas receptoras, onde passa por uma peneira e pela filtração para retirar partes condensadas. Posteriormente é feita a desidratação utilizando um pré-aquecimento;
  2. Destilação: o óleo desidratado é levado a fornos com temperaturas acima de 200°C para a obtenção das frações leves;
  3. Desasfaltamento: nesta etapa ocorre a separação asfáltica do óleo a uma temperatura superior a 300°C, em que são separadas as partes mais degradadas do óleo;
  4. Tratamento químico (borra ácida): nesta etapa é adicionado ao óleo desasfaltado o ácido sulfúrico, para que se obtenha a “borra ácida”, um resíduo que é altamente poluente. Após ser tratada com água, neutralizada e desidratada, a borra se torna combustível pesado. Após a neutralização da água com cal ela é enviada para tratamento, sendo o ácido sulfúrico transformado em sulfato de magnésio;
  5. Clarificação e neutralização: nesta etapa há a adição de descorante que absorve compostos inservíveis. Além disso, há a mistura com cal como intuito de corrigir a acidez do óleo;
  6. Filtração: nesta etapa o óleo é filtrado novamente, agora em filtros do tipo prensa. Após esta etapa, é por fim obtido o óleo rerrefinado. 

Quais são os produtos gerados pelo rerrefino?

Novo óleo lubrificante

O principal resultado do processo descrito acima é um óleo com as mesmas propriedades do óleo básico, vindo das refinarias de petróleo. Porém, ele ainda receberá aditivos para se adequar à cada especificação de uso. Em torno de 80% do rerrefino gera esse novo óleo.

Fração asfáltica do óleo

A maior parte dos contaminantes retirados do óleo usado pode ser reutilizada como aditivo plastificante na produção de materiais asfálticos de alto desempenho usado para impermeabilização, por exemplo.

Gesso

A água ácida que vem da lavagem da borra é neutralizada usando lama cal e cal virgem, resultando em gesso para correção do PH do solo.

Combustível pesado

O combustível pesado vem da borra ácida do rerrefino. Ele pode ser usado em grandes motores de baixa rotação como os de navios, por exemplo. Pode também ser queimado em fornos de alta temperatura.

Como deu para notar, a prática do rerrefino além de ser exigida por lei, ainda é benéfica para a empresa e para o meio ambiente. Sendo assim, “a logística reversa deve sempre fazer parte do desenvolvimento inicial do produto, ou seja, discutirmos, na fase de criação do mesmo, como ele será destinado ou reaproveitado após lançamento”, afirma Marcelo da Costa.

Temos certeza que você gostou de conhecer em mais detalhes o rerrefino de óleos. Agora, temos uma exclusividade para você: a Tabela de Similaridade de Lubrificantes. Ela vai ajudar a entender melhor as principais opções de óleos e graxas disponíveis no mercado.

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