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Protocolo de medidas: segurança para o parque industrial na pandemia

A indústria brasileira iniciou 2020 otimista. Após anos de recessão, 3 meses consecutivos de alta na produção pareciam marcar a retomada do crescimento. Entretanto, o Brasil foi surpreendido, ainda em fevereiro, pela chegada do novo coronavírus. Enquanto muitas empresas precisaram parar suas atividades, seja por decretos de estados ou municípios, seja para analisar o cenário e refletir sobre decisões estratégicas, tantas outras não puderam interromper suas atividades. A saída, claro, foi viabilizar protocolos de medidas que sustentassem um ambiente de trabalho seguro para os trabalhadores.

Mas é inegável que a pandemia de Covid-19 teve um impacto devastador na indústria. Um relatório da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), publicado em maio, mostrou que a principal consequência para o mercado nacional foi a queda no faturamento, relatado por 70% dos entrevistados. Mesmo precisando equilibrar as contas, as demissões estão sendo evitadas, com empresários buscando outras soluções como férias coletivas, utilização do banco de horas e redução nas jornadas. A cadeia de suprimentos também se mostrou um ponto de preocupação: 77% disseram ter enfrentado problemas para conseguir insumos e matéria-prima necessários para desenvolver a atividade.

Entretanto, para que seja possível reverter esse quadro e voltar a produzir, ações que garantam a segurança e a saúde dos colaboradores devem ser implementadas. Mesmo que algumas funções possam ser exercidas em home office, como as administrativas, aqueles que trabalham no chão de fábrica não têm opção: precisam estar presentes no local de trabalho. Então, foi preciso que lideranças, gestores e todos os envolvidos na cadeia produtiva, estabelecessem normas e protocolos de medidas que garantam a salubridade da indústria.

Neste artigo, reunimos abaixo as principais recomendações para a elaboração de um protocolo que garanta a saúde dos colaboradores. 

Protocolo de medidas: o que seguir para criar o seu?

Por conta das grandes diferenças e particularidades de cada setor, as recomendações podem ser distintas. Portanto, diretrizes específicas para o seu segmento de atuação devem ser buscadas junto à associação ou federação. Essas, por sua vez, não têm medido esforços em amparar indústrias a retomarem as atividades.

Em Santa Catarina, por exemplo, a FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) lançou o plano de ação Protocolo Corona, que visa aumentar a segurança dos trabalhadores na retomada das atividades. No documento, estão diretrizes como a adoção de equipamentos de proteção, realização de testes e monitoramento da saúde dos colaboradores. Segundo a gerente de Segurança e Saúde do SESI/SENAI, o ambiente altamente controlado, natural da indústria, torna mais fácil o trabalho de conter o avanço do vírus.

É importante ressaltar que as medidas recomendadas podem variar de acordo com o estado e o segmento, como no caso catarinense, onde há um Protocolo Corona para cada atividade industrial. 

De todo modo, algumas orientações gerais, em consonância com pesquisas e recomendações de órgãos de saúde, servem de base para que cada negócio instaure seu próprio protocolo de medidas, adequado à sua realidade. O Ofício Circular SEI nº 1088/2020, do Ministério da Economia, também dispõe de medidas gerais para a segurança no retorno às atividades.

Logo abaixo, você encontra recomendações que seguem essas diretrizes e podem ser utilizadas em qualquer parque industrial.

Ações imprescindíveis para o protocolo de medidas da sua indústria

Como mencionado acima, todas as ações estipuladas devem seguir as orientações de órgãos de saúde nacionais e/ou internacionais, tendo como base, publicações de instituições de referência. Neste artigo, você encontra as principais medidas a serem adotadas. Acompanhe.

Conheça seu capital humano

Saber quem é quem na sua força de trabalho permite mapear os colaboradores que moram em áreas de risco, tiveram contato com pacientes sintomáticos ou moram com aqueles que se encaixam nos grupos de risco. Sempre que possível, os que fazem parte do grupo com mais probabilidade de ter complicações decorrentes da Covid-19 devem receber atenção especial. Permanecer em casa ou exercer a função em local interno, bem ventilado e higienizado após o fim de cada turno, além de não ter contato com clientes, são medidas que podem ajudar a preservar a saúde dessas pessoas.

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É recomendado, também, viabilizar meios de transporte alternativos, para evitar aglomerações no transporte público e no privado. Caso seja possível oferecer esse recurso, é importante:

  • higienizar constantemente os assentos e todas as superfícies que possam ter sido tocadas pelos colaboradores com álcool 70% ou água e sabão por 20 segundos;
  • prezar por deixar as janelas abertas, mantendo a ventilação;
  • manter o veículo com, no máximo, 50% da ocupação.

Comunicação interna

Aqui, devem entrar no radar, até mesmo, aqueles que estão em regime de home office. Ao liberar o trabalho de casa, institua processos que deixem clara a forma como o expediente irá funcionar, além de manter os colaboradores informados sobre todas as decisões e acontecimentos. O envio de boletins diários é recomendado.

Para aqueles que estão trabalhando presencialmente, a comunicação interna deve ser ainda mais reforçada. É papel do empregador deixar as informações sobre prevenção da Covid-19 e a correta higienização das mãos ― além de outras medidas de higiene que podem ser tomadas ― explícitas em todos os locais. Também é importante viabilizar um canal direto entre colaboradores e algum profissional da saúde.

Limite a circulação

Independente do setor, é preciso garantir que não haverá aglomeração de pessoas no parque industrial. Para isso, muitos têm adotado a mudança de turnos e a redução de jornada como forma de evitar o contato direto. Quando for imprescindível que os colaboradores trabalhem lado a lado, adesivos no chão devem demarcar a distância segura (em 1,5 m e 2 m) e deve ser cogitada a colocação de barreiras físicas, como proteções de plástico transparentes.

Outras ações recomendadas:

  • estabeleça diferentes turnos para entradas, saídas e refeições a fim de evitar o encontro excessivo de pessoas;
  • defina como acontecerá o fluxo e sinalize claramente as vias de circulação e acessos;
  • restrinja a entrada do público externo no parque industrial.

Estimule a higiene das mãos e dos ambientes

Os pontos de álcool em gel devem estar espalhados por todo o parque industrial. Precisam estar, ao menos, nos banheiros, na entrada do refeitório e próximo ao local do ponto. É preciso estar sempre atento à reposição desses materiais, assim como do papel toalha, uma vez que serão consumidos muito mais rápido que em situações normais.

Quanto aos objetos e ambientes, o protocolo de medidas necessita englobar:

  • telefones fixos: recomenda-se que sejam de uso exclusivo e higienizados ao fim de cada expediente. Caso não exista a possibilidade de não compartilhamento do aparelho, deve-se instruir sobre a higienização das mãos antes de tocá-lo e sua limpeza assim que finalizar o uso;
  • veículos: devem ter o uso restringido a poucas pessoas e ser submetido a processo igual ao recomendado para o transporte coletivo;
  • bebedouros: quando for de dupla saída, é aconselhado que o ejetor menor seja desativado para evitar a proximidade da superfície com a saliva dos colaboradores.

É claro que este é apenas um compilado com as regras gerais, por isso, recomendamos que você verifique junto às entidades do seu setor as orientações mais específicas. De todo modo, as descritas neste artigo são imprescindíveis para todos os segmentos.

A recuperação da indústria pode ser lenta e gradual, sendo que poucos especialistas se arriscam a prever o fim da crise ― tanto sanitária quanto econômica. Com o retorno às atividades, um passo já foi dado em busca da retomada do crescimento, mas este deve ser cuidadoso e sempre considerando a saúde do trabalhador como primordial.

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