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Como drones auxiliam a manutenção em usinas hidrelétricas?

As usinas hidrelétricas são imprescindíveis para o Brasil. Afinal, são responsáveis por produzir mais de 90% da energia consumida em nosso território. Embora a premissa do que é realizado por uma usina seja simples (a força da água move as turbinas, que têm a energia mecânica convertida em elétrica), todo o trabalho envolvido para mantê-la operando é bastante complexo. Por ser tratarem de grandes instalações, o uso de drones para manutenção tem sido uma das grandes contribuições da Indústria 4.0 para esse setor.

Devido à grande área ocupada, a conferência se torna uma tarefa difícil e onerosa, que coloca em risco os trabalhadores. Foi, então, que o uso de drones na manutenção se mostrou uma saída interessante para driblar essas adversidades. Já populares no agronegócio, e utilizados por órgãos de segurança na fiscalização de estradas, passaram a ser utilizados, também, na hora de inspecionar a condição das barragens das usinas hidrelétricas.  

Neste artigo, falaremos melhor a respeito do papel dos drones na manutenção das usinas hidrelétricas. Você verá como a tecnologia vem evoluindo para uma indústria mais competitiva e eficiente. Acompanhe.

As diferentes classificações dos drones

Antes de mais nada, é bom esclarecermos que existem diferenças significativas entre os modelos, mesmo que seja comum nos referirmos como drone a todos os veículos aéreos não embarcados. Eles são subdivididos em dois tipos. O primeiro, enquadra os chamados aeromodelos, que não cumprem papel comercial e têm regras bem simples para aquisição e pilotagem. Já o segundo, as aeronaves remotamente pilotadas (RPA), são as utilizadas para fins profissionais e tem algum tipo de carga embarcada, como câmeras ou sensores.

Por oferecerem um desempenho muito superior aos drones comuns, as RPAs têm um controle mais rígido por parte dos órgãos competentes. No Brasil, as entidades regulamentadoras são:

  • a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC);
  • a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), e;
  • o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Essas aeronaves são subdivididas em três categorias distintas, de acordo com o peso do equipamento:

  • Classe 3 (250 g a 25 kg): se operarem acima de 120 m, necessitam de registro na ANAC; 
  • Classe 2 (25 kg a 150 kg): exigem autorização junto ao Registro Aeronáutico Brasileiro;
  • Classe 1 (acima de 150 kg): seguem regulamentações similares aos das aeronaves tripuladas.

Importante ressaltar que drones com peso até 250g não precisam de qualquer registro junto à ANAC, sejam eles recreativos ou comerciais. Normalmente, as RPAs utilizadas nas usinas hidrelétricas se enquadram na classe 2, não sendo tão elaboradas e pesadas quanto aquelas presentes no agronegócio.

O papel dos drones para manutenção de hidrelétricas 

Uma das partes mais sensíveis da manutenção em usinas hidrelétricas diz respeito à barragem construída para o represamento da água. Por se tratar de uma estrutura que, em caso de rompimento, pode afetar áreas de grande extensão e, até mesmo, custar vidas, o monitoramento deve ser rigoroso e constante. Elas são fiscalizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que dispõe da Resolução Normativa n. 696/2015 e as classifica de acordo com o risco potencial.

Justamente por conta do tamanho das barragens (as fiscalizadas pela ANEEL têm capacidade de reservatório acima de 3.000.000m³), o trabalho de manutenção e conferência deve ser encarado com seriedade por parte dos gestores. Realizar essa tarefa, contando apenas com os trabalhadores, demanda muito tempo e expõe os envolvidos a riscos.

Já com a utilização dos drones na manutenção, é possível conferir, remotamente:

  • presença e dilatação de fissuras ou trincas nas instalações;
  • existência de infiltrações e a vazão delas;
  • deformação ou deslocamento de juntas;
  • nível e pressão da água;
  • recalque das estruturas.

Esses trabalhos, claro, se referem às estruturas já em funcionamento. Entretanto, os drones podem ser utilizados, também, na fiscalização e acompanhamento de obras de extensão, como pontes e outras ações que exijam visualização aérea ou em locais de difícil acesso.

As vantagens de utilizar drones para manutenção

Ao longo deste artigo, você pôde ver como eles tornam as rotinas mais seguras e ágeis. Entretanto, um dos maiores benefícios em utilizar drones na manutenção é quanto à redução de custos. Mesmo que tenham um investimento inicial de aquisição, esse gasto se justifica ao evitar que verdadeiras “operações de guerra” sejam articuladas para realizar o trabalho, como deslocamento de pessoal e equipamentos.

Isso não significa, de forma alguma, que a intervenção humana seja desnecessária. Até porque, os drones atuam na visualização das barragens, não de reparação dos problemas que possam ser identificados. Por ter uma visão privilegiada da área, as RPAs conseguem apontar o local exato para manutenção, direcionando a equipe para onde, realmente, há necessidade de intervenção in loco.

Na verdade, a utilização dos drones busca introduzir as usinas hidrelétricas na nova cultura proposta pela Indústria 4.0. Nela, as tecnologias atuam de forma a otimizar tempo e recursos, sendo importantes aliadas na captação de dados e tomada de decisão por parte dos gestores. Assim, esses equipamentos auxiliam no planejamento das manutenções, na alocação de recursos e na redução do risco de acidentes. 

Inserir os profissionais de manutenção nessa nova realidade tem sido um dos grandes desafios da indústria. Por outro lado, ao investir em qualificação e na familiaridade dos trabalhadores com as novas tecnologias é uma forma de profissionalizar ainda mais as atividades e contar com mão de obra capacitada para essa interação.

As barragens, por sua vez, são apenas uma das partes de uma usina hidrelétrica que precisam ser inspecionadas com frequência pela equipe de manutenção. Leia, também, o artigo Usinas elétricas: quais os principais equipamentos e conheça os outros pontos de atenção dessas instalações.

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