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O papel da indústria no desenvolvimento do profissional 4.0

Há alguns anos, a indústria viu a 4ª Revolução Industrial se fazer presente por meio da inserção de robôs na linha de produção, drones e da utilização de big data. Atualmente, todas essas inovações já estão presentes nas fábricas e no campo brasileiro. Entretanto, essa modernização exige mais que apenas investimento financeiro na sua aquisição. Qualificar o quadro de trabalhadores tem papel importante para formar o chamado profissional 4.0, o perfil ideal para essa interação com a tecnologia.

Afinal, mesmo que muitas atividades passem a ser desempenhadas por máquinas e sistemas inteligentes, o capital humano segue indispensável ― e não há nenhuma previsão de que um dia deixará de ser. Na verdade, a sua valorização é um dos grandes diferenciais entre esta Revolução e suas antecessoras. Ela permite que, ao automatizar processos e coletar dados que facilitem a tomada de decisão, as pessoas passem a atuar de maneira mais estratégica. O setor de suprimentos, por exemplo: ao usar softwares que auxiliam o controle e gestão do estoque, os profissionais podem se dedicar à busca de novos fornecedores ou ao estudo de outras oportunidades, como insumos mais eficientes ou baratos.

Mas, para que todo esse avanço tecnológico atinja seus objetivos, é preciso que aqueles que interagem com ele o compreendam. Encontrar o profissional 4.0 tem se tornado uma tarefa árdua para muitos que, só agora, perceberam a sua importância. Entretanto, a solução pode estar mais próxima do que se imagina: no seu quadro atual.

A indústria tem um papel fundamental na formação do profissional 4.0. Este artigo mostrará o que pode ser feito para fomentar o desenvolvimento desse perfil e qualificar ainda mais sua equipe. Continue a leitura.

Conheça o perfil do profissional 4.0 

Antes de saber o que deve ser feito para formá-lo, é preciso conhecer as características que fazem um profissional 4.0. E é importante destacar que até mesmo um operador de máquinas agrícolas pode se enquadrar nessa definição. Isso porque muitas das características exigidas para esse perfil são indispensáveis em todos os setores da indústria, do chão de fábrica aos líderes e gestores.

Para atender o perfil esperado, o profissional precisa:

  • entender o todo: hoje, não há mais distinção entre setores e esse alinhamento tem se mostrado vital para a indústria. Portanto, os profissionais devem ter ciência de toda a cadeia produtiva, sabendo como o seu trabalho impacta nessa cadência. Em resumo, é preciso enxergar a atividade como uma parte de um processo, não como uma tarefa isolada;
  • senso analítico: na Indústria 4.0 não há espaço para “achismos” ― todas as ações e decisões precisam ser embasadas em dados concretos. Conseguir analisar os elementos gerados, transformando-os em informação, certamente, é uma das características mais esperadas desse perfil;
  • resiliência: assim como o mercado, quem atua nele deve estar pronto para as constantes transformações. O profissional 4.0 se adapta com facilidade às tecnologias, processos internos e inserção de novos recursos.

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Para alcançar esse perfil, é essencial, para as indústrias, que os colaboradores já existentes nela sejam treinados para atender às exigências. Investir na capacitação de quem já integra o quadro é uma forma de reduzir, significativamente, os custos da transição para as novas tecnologias ― além daqueles gerados pelo turnover.

Caso de sucesso: Como uma mineradora do Vale do Jequitinhonha otimizou suas operações com PETRONAS Hydraulic

Por que investir na formação desse profissional

Logo acima, falamos que fomentar a transformação dos colaboradores em profissionais 4.0 ajuda na redução de alguns custos. É claro que esse é um bom motivo, mas não é o único que faz com que grandes players da indústria invistam na qualificação do quadro. Conheça outros benefícios:

  • retenção de talentos: cursos de atualização ajudam os trabalhadores a se sentirem mais ligados à empresa. Como ela investe no seu desenvolvimento, os contratempos com as substituições de profissionais são reduzidas;
  • produtividade: ao entender melhor a tecnologia e lidar com ela, consegue-se aumentar exponencialmente a agilidade dos processos;
  • eficiência: com cada colaborador sabendo o que deve ser feito e qual procedimento seguir, a chance de erros diminui drasticamente.

Como fomentar o desenvolvimento do profissional 4.0 na indústria

De acordo com o levantamento Panorama do Treinamento no Brasil, a indústria oferece 16 horas anuais de treinamento aos colaboradores. Mesmo com número superior a áreas como administração pública (11h/ano) e comércio (8h/ano), ainda fica atrás do setor de serviços, que dedica 18 horas ao ano para a qualificação dos profissionais. 

Os números, colhidos em 2019, com base nas respostas de 533 entrevistados, mostram que a média nacional é de 15h anuais por colaborador, uma queda de 17% em relação a 2018. Entretanto, o segmento se destaca quando o assunto é investimento na qualificação de não-líderes: 57% do orçamento destinado a treinamento e desenvolvimento é voltado para esse público.

No início deste artigo, falamos que nem sempre o profissional 4.0 está apenas nos setores administrativos ou gerenciais e que, independente do cargo, todos podem se adaptar a esse perfil. Um bom exemplo disso vem do agronegócio. Alguns produtores têm aproveitado os períodos de entressafra para treinar os operadores das máquinas pesadas. Dessa forma, conseguem inseri-los nas rotinas de manutenção e dão o conhecimento necessário para que prestem informações relevantes aos responsáveis técnicos (reconhecimento de ruídos e vibrações anormais, por exemplo).

Muitos outros setores têm contado, também, com a parceria de fornecedores de insumos na atualização dos profissionais. A PETRONAS, por exemplo, ministra diversos cursos com os envolvidos nas rotinas de lubrificação, não apenas direta, mas indiretamente, também. As reuniões, que antes aconteciam presencialmente, passaram a ocorrer por videochamada. De certa forma, a virtualização trouxe vantagens nesse aspecto. Agora, é possível incluir os responsáveis por outros setores, como financeiro e estoque, nas conversas, auxiliando ainda mais na integração entre os processos. 

A necessidade de profissionais que estejam a par das tecnologias e saibam extrair o que ela pode oferecer de melhor, sem dúvidas, é urgente. Mas a indústria tem uma forte responsabilidade na construção desse perfil. Portanto, a capacitação dos colaboradores deve sempre figurar nos planos de expansão tecnológica. Para continuar lendo sobre o assunto, confira o artigo Afinal, como trabalhar a gestão de pessoas na indústria 4.0?

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