Estratégias de Custos

Indicadores da cadeia produtiva da cana-de-açúcar: saiba o que monitorar

Os custos fixos do setor sucroalcooleiro são um grande entrave para a lucratividade das usinas. Esse é um problema conhecido pelo segmento, assim como a sua solução: acompanhar a produção de perto na busca de gargalos que estejam prejudicando a produtividade. O planejamento da manutenção dos ativos, por exemplo, é uma das medidas que podem ser tomadas visando ao saving dos recursos. Entretanto, é preciso ir além e monitorar indicadores da cadeia produtiva que, há alguns anos, eram completamente negligenciados.

A chegada da Indústria 4.0 no campo, também conhecida como agricultura de precisão, mudou o olhar de muitos produtores. A partir do uso da tecnologia, foi possível ter acesso a dados e informações antes inalcançáveis, como o teor de terra na palha e a porcentagem de açúcares redutores totais (ART) perdidos durante a lavagem da cana. A utilização de drones é outro bom exemplo de como as inovações podem alavancar a produtividade. Por meio de voos planejados, ficou muito mais fácil detectar falhas no plantio e estipular o quanto isso representa na área total.

Entretanto, a agricultura de precisão ainda encontra alguns desafios para se estabelecer nas produções nacionais. Além dos investimentos, que intimidam muitos produtores, é preciso ressaltar que de nada adianta apenas incluir tais ferramentas no dia a dia da lavoura se não houver definição dos indicadores da cadeia produtiva que se deseja mensurar. 

Continue lendo e saiba quais são os parâmetros-chave no setor sucroalcooleiro, de acordo com cada etapa da produção.

Conheça os indicadores da cadeia produtiva que devem ser monitorados no setor sucroalcooleiro

Por ser uma atividade fragmentada, com diversas etapas até o produto final, o segmento sucroenergético exige um trabalho mais atento no que diz respeito ao acompanhamento dos indicadores de produção. Dessa forma, evita-se que as otimizações realizadas na fase agrícola sejam anuladas durante o processo de industrialização.

Para tornar esse monitoramento mais fácil, abaixo, você encontra os principais indicadores da cadeia produtiva separados por etapas. Acompanhe.  

Indicadores agrícolas

Nessa etapa, certamente, estão os indicadores mais expressivos. É na fase agrícola que muitos recursos podem ser economizados por meio do acompanhamento do produtor. Isso porque é aqui que ocorrem as maiores variações de custos, como os de insumos.

  • Diesel: deve-se acompanhar tanto o consumo no transporte ― litros por tonelada produzida, considerando 25 km percorridos ― quanto na colheita mecanizada, também na proporção litros versus toneladas. O mesmo parâmetro se aplica ao Diesel agrícola, utilizado para as atividades de manejo do solo, plantio e colheita;
  • Terra: mais uma vez, devem ser analisadas duas frentes. A primeira, é a quantidade de terra por tonelada de colmo da cana que vai incorporado ao produto para a industrialização; a segunda, os quilogramas de terra carregados junto à palha;
  • Palha: a recuperação precisa ser monitorada quanto à porcentagem de cobertura recolhida para fins industriais e em relação ao seu custo em reais por tonelada;
  • Produtividade do canavial: número de toneladas de cana-de-açúcar produzidas por hectare/ano.

Indicadores industriais

No início deste artigo, falamos sobre a possibilidade ― e necessidade ― de acompanhar as perdas de ART durante a lavagem da cana. Este é, na verdade, apenas um dos processos de industrialização da cana que devem ser monitorados. Abaixo, você confere outros indicadores desta etapa.

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  • Rendimento fermentativo: é medido por meio da correlação entre a porcentagem de produto resultante da fermentação com a quantidade que seria obtida caso todo o substrato destinado ao processo fosse transformado em etanol ou vinho. Considera as perdas de açúcar remanescente no vinho final e por formação de subprodutos;
  • Relação Etanol x Vinhaça: divide a quantidade de resíduos líquidos resultantes da destilação do vinho pela quantidade de etanol fabricado;
  • Extração de açúcar: eficiência (%) da extração de ART que entra na moagem e é posteriormente recuperado no caldo misto;
  • Produção de álcool hidratado e anidro: volume, em metros cúbicos, da produção anual;
  • Produtividade do álcool: volume de álcool obtido a cada tonelada de cana-de-açúcar.

Indicadores da geração de energia

Atualmente, muitas usinas têm aproveitado o bagaço gerado pela moagem para a produção de energia elétrica. Como essa é uma saída para economizar, além de ser reflexo direto da preocupação ambiental crescente, seria contraproducente não acompanhar os resultados desse processo. Assim, devem ser mensurados os indicadores de produtividade listados a seguir.

  • Consumo de vapor: antes de mais nada, deve-se categorizar a classe de vapor, classificando-a como pressão ou temperatura para separar o vapor motriz do vapor de escape. Assim, pode-se determinar quantos quilos são consumidos por tonelada de colmo;
  • Bagaço excedente: porcentagem de bagaço excedente do total gerado no processo de moagem;
  • Consumo de energia: kWh consumidos nas atividades da usina, por tonelada de cana;
  • Geração de energia: kWh gerados por tonelada de colmo de cana-de-açúcar.

Indicadores de sustentabilidade

A tecnologia no campo também tem a missão de ajudar o produtor a manter sua lavoura mais sustentável. Um bom exemplo é o uso de pesticidas, que pode ser drasticamente reduzido ao se ter a informação de qual talhão está sendo afetado pela praga. Mas, além da economia que pode ser conseguida ao olhar para esses indicadores, a preocupação ambiental tem sido, também, um fator competitivo. 

Com grandes mercados compradores, e até mesmo consumidores finais, atentos à preservação e recuperação de áreas devastadas, é fundamental para a lucratividade do setor acompanhar estes parâmetros:

  • Defensivos químicos: quantidade de herbicidas e pesticidas (kg) aplicados na cultura (ha);
  • Conservação do solo: refere-se à terra degradada, improdutiva, e mede-se por meio da tonelada de solo removido por hectare;
  • Água: metros cúbicos de água captada e utilizada por peso da cana colhida e processada;
  • Emissão de CO²: quilos de gás carbônico emitidos por tonelada de cana colhida;
  • Fertilizantes: quilos de fertilizante sólido depositado no solo por área plantada.

Como você pôde perceber, são muitos os indicadores da cadeia produtiva da cana-de-açúcar que precisam ser monitorados. Embora pareça um trabalho complexo, diversos softwares e ferramentas já tornam possível acompanhar esses parâmetros que, com certeza, fazem toda a diferença para o segmento sucroalcooleiro.

Continue acompanhando o Inovação Industrial para mais dicas e novidades do setor.


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