Estratégias de Custos

Parceria entre manutenção e suprimentos na escolha de insumos industriais

No setor sucroalcooleiro, as pressões pela economia são frequentes. Uma pesquisa analisou comparativamente os gastos envolvidos na produção da cana-de-açúcar e mapeou os principais, do plantio até a colheita. Sem surpresa, os custos de insumos industriais foram os maiores, seguidos de investimentos em mecanização, depreciação dos equipamentos, mão de obra, despesas administrativas e arrendamentos. O que muitos ignoram é que o alinhamento entre manutenção e suprimentos tem papel determinante na hora de garantir o saving.

Um estudo do Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), com o fechamento da safra de 2018/2019, mostrou que os gastos fixos ainda são os grandes vilões da lucratividade do setor. Na região Centro-sul, por exemplo, o custo médio total é de R$110,70 por tonelada, enquanto no Norte-Nordeste o produtor desembolsa R$113,39. Para diminuir esse impacto, existem apenas duas soluções: produzir mais ou investir em insumos de qualidade superior, que apresentem um ROI (Return on Investiment) maior. E é nesse momento que manutenção e suprimentos devem trabalhar juntos.

Os motivos para que essa parceria seja fomentada são muitos e é sobre eles que falaremos neste artigo. Leia o artigo e entenda por que as áreas de manutenção e suprimentos devem trabalhar juntas para alcançar saving e disponibilidade dos equipamentos.

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Alinhamento entre manutenção e suprimentos: por que é tão importante no setor sucroalcooleiro

Com a diversidade dos equipamentos que consta em uma planta industrial, ter um plano de manutenção é essencial para manter a confiabilidade dos ativos, gerenciar os períodos corretos de intervenção e, claro, as compras dos insumos. Tantas necessidades diferentes fazem com que essa seja uma tarefa que precisa ser desempenhada em conjunto. Isso se torna ainda mais significativo quando levamos em consideração o contexto do setor sucroalcooleiro, onde a atividade se divide entre as etapas agrícola e fabril.

Porém, em um segmento com pressão constante pela redução de custos, os compradores devem ser assertivos em duas frentes: suprir as necessidades do maquinário com insumos de qualidade e manter o orçamento estipulado. E, para conseguir isso, é essencial que as definições técnicas sejam discutidas com quem realmente entende do assunto: a equipe de manutenção. Afinal, ninguém melhor que ela para entender as especificações das OEMs e a execução do “princípio correto”, isto é: o fluido adequado, aplicado no local certo, na quantidade exata e no momento conveniente.

Seguir as determinações dadas pela manutenção também tem benefícios financeiros: com o melhor desempenho das máquinas, a produtividade aumenta; ganha-se um maior intervalo entre as trocas de óleo e preserva-se a vida útil dos sistemas. A seguir, você confere um exemplo do setor sucroalcooleiro onde esse alinhamento foi colocado em prática.

BIOSEV: conheça um case onde essa parceria deu resultados expressivos

A Biosev, uma das principais empresas do setor sucroenergético brasileiro, enfrentava alguns problemas em relação à lubrificação. Como em qualquer companhia do segmento, o maquinário sofria com os mecanismos de desgastes comuns ao ambiente agrícola: altas temperaturas de operação, poeira e umidade constantes. Ainda, a possibilidade de contaminação do óleo era uma preocupação, uma vez que as trocas acontecem no campo.

Ou seja, a busca era por um insumo que, além de estar de acordo com as necessidades dos equipamentos, reduzisse o número de paradas para troca de óleo. Constatada a demanda, manutenção e suprimentos precisaram trabalhar em conjunto para encontrar a melhor solução.

Entretanto, foi definido que tal fluido deveria ser desenvolvido com tais características, uma vez que não haviam opções semelhantes no mercado. É importante ressaltar que o processo aconteceu gradativamente, ao longo de 2 ou 3 anos. Nesse período, a performance e qualidade do lubrificante foi acompanhada de perto, respeitando sempre o intervalo de 300 horas para avaliação de cada análise. Ao fim dos testes, foi alcançada a marca de 600 horas de trabalho sem a necessidade, comprovada por laudos preditivos, da troca de óleo.

É claro que nem sempre a solução é encontrada apenas sob medida. Mas, caso manutenção e suprimentos não tivessem trabalhado juntas na melhor solução, possivelmente, muitos recursos teriam sido alocados na aquisição de insumos de qualidade inferior. Não podemos deixar de mencionar, também, que uma compra assertiva traz economia a longo prazo, ao aumentar a vida útil dos ativos e diminuir a necessidade de reposição de peças.

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Entenda o papel da manutenção no processo de compra

Especialmente quando mencionamos a aquisição de insumos de alto valor agregado, como no caso dos lubrificantes, o envolvimento da manutenção é essencial. Ele se dá, claro, anterior às cotações, ajudando os compradores a definir, de modo certeiro, as reais necessidades do maquinário. Dessa forma, podemos dividir a participação dessa área no processo de aquisição em dois pontos, como você confere a seguir.

Avaliação técnica

Além de seguir as recomendações do fabricante, a avaliação técnica dos profissionais da área técnica é primordial. Por lidarem diretamente com a manutenção dos ativos, esses colaboradores podem ajudar a traçar estratégias de otimização de recursos.

É necessário encontrar um equilíbrio entre o orçamento, a qualidade do óleo e a redução de custos. Por vezes, um investimento inicial mais alto na lubrificação garante economia a longo prazo, com menos falhas e paradas não programadas. Entretanto, é bom salientar que nunca se deve optar pela economia a curto prazo. É por este motivo, para ajudar a balancear o que se precisa versus o que se pode gastar, que a avaliação técnica individual dos equipamentos é tão necessária.

Especificações do lubrificante

Agora que a equipe responsável pela compra já sabe o que deve ser suprido no maquinário, é preciso elencar as especificações do lubrificante a ser adquirido.

Os quesitos indispensáveis são:

  • viscosidade: dependendo do uso, são necessários fluidos menos viscosos, capazes de circular rapidamente pelos sistemas; em outros, a viscidez deve ser maior para criar um filme resistente, que impede o contato entre os componentes do sistema;
  • pacote de aditivos: de extrema pressão, antioxidantes, detergentes e outros componentes são adicionados ao óleo base para determinar sua função. Importante ter em mãos os aditivos necessários e, também, os que não devem estar, de modo algum, na formulação do lubrificante ━ estudos comprovam que aditivos antiespuma são responsáveis pelo surgimento de micropitting (danos na superfície do equipamento), por exemplo;
  • estabilidade térmica: a temperatura em que o fluido irá atuar é determinante para o seu desempenho. Verifique o ponto de fluidez necessário para a boa operação do óleo;
  • óleo base:é preciso saber se o óleo base utilizado na fabricação do lubrificante deve ser sintético, semissintético ou mineral.

Aqui, as particularidades de cada equipamento devem ser consideradas junto a equipe técnica para determinar, com exatidão, cada um desses tópicos. Feito isso, os compradores têm em mãos um dossiê completo para dar sequência às cotações.

Agora que você já sabe como manutenção e suprimentos podem trabalhar juntos para gerar saving, veja um case onde um dos principais players do mercado sucroalcooleiro economizou 2 milhões de reais com o auxílio da PETRONAS. Aproveite e inscreva-se, também, no canal exclusivo do Portal Inovação Industrial no Telegram e receba nossas novidades em primeira mão.

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